domingo, 4 de julho de 2010

Kakigoori, a raspadinha japonesa

CURIOSIDADE

O dia 25 de julho é o Dia do Kakigoori, registrado pela Associação de Kakigoori do Japão.



Doce é a atração do verão no arquipélago e popularmente servido em festivais realizados em santuários e templos

O kakigoori é o elemento fundamental na cena do verão japonês. Trata-se de um doce feito de gelo e xarope, conhecido em algumas regiões do Brasil como raspadinha. Nas lojas que vendem o kakigoori, há sempre um estandarte escrito koori (gelo). Esse doce gelado é tão comum nos festivais realizados em santuários e templos quanto o takoyaki e o yakissoba.

A primeira aparição do kakigoori na história foi em Makurano-Soushi, livro escrito por Sei Shonagon. Em 1869, a primeira loja de kakigoori foi aberta em Yokohama, Kanagawa. Essa loja foi também a primeira loja a vender sorvete no Japão. No início da Era Showa (1926-1989), as máquinas de kakigoori divulgaram-no em todo o arquipélago.

Enquanto a tecnologia não era suficiente para fabricar gelo, a criatividade se fazia necessária na conservação do gelo produzido naturalmente durante o inverno. No Japão, surgiu um utensílio para esse fim, conhecido como himuro. Não existem registros escritos a respeito disso, mas conta-se que o gelo era cortado e colocado em um buraco, ou em cavernas, e sua temperatura era mantida com uma cobertura de palha. Com isso, o gelo era um artigo precioso no verão e consumido apenas por autoridades, a casa imperial e o governo militar.

Na Era Edo (1603-1867), existia o costume de oferecer o gelo do feudo Kaga (atual Toyama e Ishikawa) para governo central de Edo.

Tipos de kakigoori

• Xaropes

- Ichigo (Morango): vermelho
- Meron (Melão): verde
- Remon (Limão): amalero
- Blue Hawai: azul
- Mizore (água com açúcar): sem cor
- Rainbow: vários xaropes juntos.

• Kakigoori com sorvete

• Ujikintoki

Coloca-se xarope de chá verde de Kyoto, açúcar e azuki (doce de feijão)

Os eventos anuais e sua origens

Nipônicos festejam acontecimentos característicos de cada estação


O calendário de eventos anuais do Japão é uma das maneiras de se perceber como os japoneses valorizam a tradição. Com isso, distingue-se as comemorações anuais em dois grupos: o kokumin no shukujitsu (feriados nacionais) e o nenchugyôji (calendário de eventos anuais). Este, mais cultural, abrange desde os eventos comuns no mundo inteiro, como o ano-novo (Oshogatsu), Dia das Crianças (Tango no Sekku), Finados (Obon), até os mais característicos nipônicos, como o Tanabata, o Shichi-go-san, Hana matsuri, entre outros (veja quadro).

Algumas comemorações do calendário nenchugyôji remontam aos tempos antigos, como o Tanabata (Festival das Estrelas). De origem chinesa, esse festival já participava do calendário de eventos da Era Heian (794~1185). Outra comemoração realizada no passado, mas que, com o passar do tempo, ficou restrita ao mês de fevereiro, é o setsubun. Antigamente, o setsubun (Cerimônia para semear grãos de soja) marcava a passagem das estações do ano, porém, atualmente, marca somente a chegada da primavera. Além dessa, o Tango no Sekku (Dia das Crianças) também remonta à Antiguidade e, embora seja considerado o Dia das Crianças hoje, era, a princípio, voltado apenas para os meninos. Entretanto, o símbolo continua o mesmo: na referida data, costuma-se hastear os koinobori (flâmulas de papel ou pano em forma de carpa), confeccionados pelas famílias que possuem um menino, representando sorte e boa saúde aos garotos. Escolheu-se a carpa devido à sua capacidade de vencer obstáculos naturais.

A maioria dos eventos anuais está ligada à admiração dos japoneses pela natureza. Com estações do ano bem definidas, o seu povo costuma festejar um acontecimento característico de cada estação.


JANEIRO – 1º/1
Oshogatsu: é com a saudação “Shin’nen akemashite omedetou gozaimasu” que os japoneses celebram o oshogatsu, isto é, o ano-novo. Neste dia, os correios entregam os nengajô (cartões de felicitação) a seus destinatários, os pais entregam aos filhos os otoshidama (presente em dinheiro) e são preparadas comidas típicas como o ozouni. Na virada do ano-novo as famílias fazem o hatsumôde, isto é, a visita a um templo xintoísta ou budista durante o ano-novo.


FEVEREIRO – 3/2 ou 4/2
Setsubun: dizendo a frase “Fuku wa uchi! Oni wa soto!” os japoneses simbolicamente semeiam grãos de soja no interior das residências para afugentar os maus espíritos e chamar a boa ventura. A tradição remonta a um hábito da família imperial chamada tsuina, que ocorria na véspera do equinócio de primavera. Atribui-se ao vigor da soja, que cresce rapidamente, o poder de espantar os maus espíritos.


MARÇO – 3/3
Hina Matsuri: também chamado de momo no sekku, o hinamatsuri (Festival das Bonecas) é a data festiva para pedir o crescimento saudável e feliz das filhas. Na Era Heian, as famílias da nobreza japonesa iniciaram a prática do nagashibina, isto é, faziam bonecas simples e as depositavam nos rios e nos mares, pedindo que levassem consigo as doenças e os males que estivessem destinados às meninas. Entretanto, as crianças da família imperial passaram a brincar com bonecas mais elaboradas que, em pouco tempo, tornaram-se tão complexas que começaram a enfeitar os aposentos. A partir da Era Edo são montados os hinadan, estrados com vários andares sobre os quais são dispostas as bonecas.


ABRIL – Início de abril
Ohanami: uma das árvores mais tradicionais do Japão é o sakura, (cerejeira), cujas floradas são apreciadas pelos japoneses. Para tanto, há até um calendário oficial com a previsão da floração em cada região do país. Esse costume também surgiu na Era Heian, quando os nobres se reuniam sob as cerejeiras para compor poemas e cantar. Essa tradição chegou à população durante a Era Edo e, desde então, são realizados piqueniques e eventos diversos sob a “chuva de pétalas de sakura”. Nesta mesma época, no dia 8 de abril, é comemorado o aniversário de Buda (hana matsuri).


MAIO – 5/5
Tango no Sekku: este festival, conhecido como Dia das Crianças, era realizado exclusivamente para pedir o crescimento saudável dos filhos do sexo masculino, mas após a Segunda Guerra Mundial, ganhou conotação mais ampla. Na Antiguidade, esta data era comemorada na China como o dia da prevenção contra os males. Como parte dos rituais, eram colhidos os shôbu (iris laevigata) para se preparar banhos aromáticos. No Japão feudal, esse costume ganhou maior importância porque o nome dessa planta, em japonês, tem o mesmo som da palavra “batalha”. Assim, os samurais acreditavam que as folhas desse vegetal trariam vitória e sorte.


JUNHO – 1º/6 e 1º/10
Koromogae: conforme a mudança climática, hoje, os dias 1º de junho e 1º de outubro, são as datas para a troca de roupas e uniformes dos japoneses, com modelos de verão e de inverno. Na Antiguidade japonesa, os quimonos de verão eram vestidos a partir do dia 1º de abril; e os de inverno, a partir do dia 1º de outubro. Já na Era Edo, a data passou a ser 9 de setembro. Ainda hoje, o koromogae pode ser visto na troca dos uniformes de estudantes, bancários, motoristas de ônibus, policiais, etc.


JULHO – 7/7
Tanabata: conhecido como “Festival das Estrelas”, tem sua origem na celebração do deus da água (Mizu-no-Kami) no dia 7 de julho. Nesta data, as tecelãs chamadas de tanabatatsume dedicavam-se a tecer, por uma noite a fio, um pano como oferenda para proteção contra doenças. Na China, na mesma data, acontecia algo semelhante. As tecelãs pediam habilidade na tecelagem e no bordado à estrela tecelã Vega, separada pela via-láctea de seu amante Altair. Essas estrelas só podem ser vistas juntas no Hemisfério Norte na noite de 7 de julho. Na Era Edo iniciou-se o costume de escrever poemas e pedidos nos cartões chamados tanzaku, que são pendurados em ramos de bambu.


AGOSTO – 13 a 15/8
Obon: O discípulo de Buda chamado Mokuren tinha o poder de vislumbrar o mundo dos mortos, onde descobriu a condição sofrida por sua mãe. Ele consultou Buda, que o instruiu a reunir um grande número de monges para fazer a maior oferenda possível a fim de salvá-la. Mokuren teria iniciado a dança que ficaria conhecida como Bon Odori, tornando-se o principal culto aos antepassados. Entre os dias 13 e 15 de agosto, acende-se o fogo sagrado (mukaebi) em frente às residências ou às margens dos rios para acolher as almas.


SETEMBRO – Fim do mês
Otsukimi: No fim do mês de setembro, a lua apresenta-se ainda mais pujante no Hemisfério Norte. Em agradecimento às boas colheitas, os japoneses ofereciam os frutos do penoso trabalho no campo à lua. Porém, o otsukimi não se restringia aos camponeses. A família imperial também apreciava a lua, enquanto seus membros cantavam ao som do koto e do shakuhachi.


OUTUBRO
Kaminazuki: o mês de outubro é conhecido pela ausência de divindades. Segundo a tradição xintoísta, neste mês, os deuses se reúnem no Grande Santuário de Izumo, sudoeste do Japão, dedicado à divindade Ôkuninushi-no-Mikoto e, por isso, não há motivo para festividades.


NOVEMBRO – 15/11
Shichi-go-san: é a visita aos santuários xintoístas das crianças de 3, 5 e 7 anos, em agradecimento pelo crescimento até então saudável, pois, antigamente, a taxa de mortalidade infantil era alta. Na Era Edo, o shichi-go-san passou a ser reconhecido como um ritual de passagem.


DEZEMBRO – 31/12
Toshikoshi: é a comemoração do último dia do ano. Nesta data se faz o ôsôji, isto é, a limpeza das casas japonesas. Este ritual também é chamado de susuhaki. São preparadas as refeições típicas da véspera do ano-novo.

Tanabata

A Lenda que deu origem à comemoração




















Uma lenda japonesa conta a origem do festival Tanabata:

Há muito tempo, de acordo com uma antiga lenda, morava próximo da Via-Láctea uma linda princesa chamada Orihime a "Princesa Tecelã".

Certo dia Tentei o "Senhor Celestial", pai da moça, apresentou-lhe um jovem e belo rapaz, Kengyu o "Pastor do Gado" (também nomeado Hikoboshi), acreditando que este fosse o par ideal para ela.

Os dois se apaixonaram fulminantemente. A partir de então, a vida de ambos girava apenas em torno do belo romance, deixando de lado suas tarefas e obrigações diárias.

Indignado com a falta de responsabilidade do jovem casal, o pai de Orihime decidiu separar os dois, obrigando-os a morar em lados opostos da Via-Láctea.

A separação trouxe muito sofrimento e tristeza para Orihime. Sentindo o pesar de sua filha, seu pai resolveu permitir que o jovem casal se encontrasse, porém somente uma vez por ano, no sétimo dia do sétimo mês do calendário lunar, desde que cumprissem sua ordem de atender todos os pedidos vindos da Terra nesta data.

Na mitologia japonesa, este casal é representada por estrelas situadas em lados opostos da galáxia, que realmente só são vistas juntas uma vez por ano: Vega (Orihime) e Altair (Kengyu).

A celebração
O festival que celebra esta história de amor teve início na Corte Imperial do Japão há cerca de 1.150 anos, e lá tornou-se feriado nacional em 1603.

Atualmente o Tanabata é uma das maiores festas populares do Japão. É realizado em diversas cidades, o mais tradicional é o de Miyagui, que se realiza em agosto, aproveitando as férias de verão das escolas japonesas.


No Brasil

No Brasil o primeiro festival Tanabata foi realizado na cidade de Assaí no Estado do Paraná no ano de 1978.


O Festival das Estrelas

Com o nome de "Festival das Estrelas", o Tanabata Matsuri é realizado na cidade de São Paulo, na Praça da Liberdade, no mês de julho, desde 1979.

Esta é a principal comemoração anual do bairro, incluída no Calendário Turístico do Estado e do Município de São Paulo:

-as ruas a praça são decoradas com grandes ramos de bambu ornamentados por enfeites de papel colorido que simbolizam as estrelas;

-tanzaku, pequenos pedaços de papel onde as pessoas colocam seus pedidos, são pendurados nesses bambus;

-são realizados também apresentações de tambores Taikô, danças folclóricas e shows de cantores.


Em 1994 o Festival Tanabata também foi introduzido no calendário oficial de eventos de Ribeirão Preto - SP no Parque Municipal do Morro do São Bento.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Menos 12 mil quilômetros quadrados de vegetação em seis anos





Entre 2002 e 2008, o Pantanal perdeu 12,4 mil quilômetros quadrados (km²) de vegetação. O desmatamento avança mais na área de planalto do bioma e é menos intensivo na planície. Estudo apresentado nesta semana mostra que 86,6% da vegetação da planície está preservada, mas só restam 41,8% de cobertura original no planalto.

A pecuária é o principal vetor do desmatamento no Pantanal, de acordo com o levantamento. A conversão de vegetação em pastagens é responsável por 11,1% do uso da terra na área de planície e 43,5% no planalto. A agricultura ocupa 0,3% da região de planície do bioma e 9,9% do planalto.

O estudo, feito em parceria entre as organizações não governamentais WWF, Conservação Internacional, SOS Pantanal, SOS Mata Atlântica, a Fundação Avina e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), comparou imagens de satélites com visitas de campo pela região.

A diferença entre a devastação no planalto e na planície reflete diferenças nas forma de ocupação do bioma. De acordo com o levantamento, o planalto é fortemente ocupado pela agricultura e pela pecuária. Na planície, a pecuária mais extensiva pressiona menos a abertura de novas áreas.

Apesar do crescimento do desmate verificado no período, a situação do Pantanal ainda é melhor que a de outros biomas do país. A Amazônia registra taxa anual de desmate de cerca de 7 mil km² e o Cerrado já perdeu metade de sua cobertura vegetal original.

(Agência Brasil)


Fonte: Luana Lourenço, da Agência Brasil

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O brilho de uma estrela


Na bandeira nacional, cada estrela representa um estado. Em destaque, sozinha, acima da faixa de "Ordem e Progresso", temos o Pará, que empresta seu nome a uma castanha, que, ultimamente, anda muito conhecida e respeitada por todos nós: a castanha-do-pará. Sua denominação mudou para castanha-do-brasil, mas não sabemos se o nome pegou.

Lá da Estrela do Norte, onde se preservou o mais puro paladar da raiz brasileira, vem o açaí, o tucupi, o tacacá e outras delícias mais.

Tempos atrás, alguns integrantes do setor da alimentação natural visitaram o Pará. Relatam que, em suas memórias degustativas, ficou gravado o sabor de uma água de coco tomada em Icoaraci, que, de tão doce, adoça toda lembrança desta terra querida. E ainda, quando fizeram uma pequena viagem ao interior, para visitar a cidade de Castanhal, permaneceu o cheiro da castanha-do-pará sendo torrada para se fazer doces e biscoitos. Disseram que é um aroma inesquecível.

A castanha-do-pará, antes de ter o aspecto que costumamos conhecer, é um fruto extremamente duro, chamado de ouriço, que nasce da castanheira, árvore frondosa e exuberante da Amazônia. Seu peso é, em média, de 700 gramas e traz, em seu interior, entre 10 e 25 sementes.

Contudo, para se ter a castanha na sua forma final, ainda é necessário mais um pouco de esforço e retirar a amêndoa que está inserida em uma casca dura e enrugosa. Porém, todo esforço vale a pena para se ter nas mãos este pequeno tesouro.

Consumir duas castanhas diariamente garante as doses de selênio de que nosso corpo necessita para preservar cada célula e também, o mais importante, para promover a destoxificação de metais pesados e outras substâncias tóxicas, que, de alguma maneira, ingerimos. É uma eliminação de toxinas que pode ocorrer de maneira simples, segura e natural.

Na presença do selênio, a tireoide funciona melhor na produção de hormônios, auxilia no combate do envelhecimento celular e tem especial papel na proteção do cérebro.

E ainda, é muito prático carregar conosco esta delícia, que podemos saborear num lanche entre as refeições principais.

O perigo é surgir a vontade de avançar no pote e comer muitas e muitas castanhas. O efeito colateral do excesso será um mau hálito e uma cor amarelada nas mãos. Talvez, alguns quilinhos a mais. Lembrando sempre que é bom evitar todo e qualquer excesso.

Por outro lado, não correremos risco algum ao saborear pratos que levem a castanha-do-pará na receita, pois dificilmente eles pedirão seu uso excessivo.

É interessante saber que, mesmo indo ao fogo ou à geladeira, suas características e sua reserva de selênio não irão se perder.

O selênio, presente nos alimentos que a Grande Natureza nos oferece, é bem mais absorvido pelo organismo e vem na medida certa, por isso é completamente desnecessário pensar em suplementação.

Inclua em sua rotina as duas castanhas-do-pará, levando-as no bolso, na bolsa ou na mochila, fazendo a estrela da sua saúde brilhar.

Como uma pequena prática de altruísmo, vá para a cozinha preparar nossa sugestão de receita e ofereça esta recordação degustativa aos seus familiares e amigos. E, no fi nal, brilhe com os elogios.

O famoso Sushi


Para saborear o sushi não existem tabus ou complicadas regras de etiqueta como na culinária francesa. Pode-se comer com as mãos ou com o hashi, os “palitinhos japoneses”. Existem algumas restrições apenas na maneira de utilizar o “shoyu” (molho de soja). Alguns ingredientes do sushi já vêm temperados, mas outros, como o atum, a lula e o salmão, precisam do molho shoyu. Coloca-se um pouco de shoyu no kozara (prato pequeno), pega-se o sushi com o hashi prendendo o arroz (ou shari, outra denominação para o arroz branco) e o peixe, inclina-se e molha-se rapidamente a parte do peixe no shoyu. Mergulhar o arroz no shoyu ou molhar em excesso faz com que se perca o sabor do peixe cuidadosamente preparado.



História

O sushi existe há mais de 1300 anos, e surgiu primeiramente nos países do Sudeste Asiático (Tailândia, Malásia, etc). Naquela época, prensava-se o peixe salgado com arroz. O arroz era utilizado somente para conservar o peixe e depois era jogado fora. Porém, com o passar dos tempos e o visível encarecimento do arroz, esta prática de conservação foi sendo gradativamente deixada de lado por muitos daqueles países.

No Japão, foram registradas as primeiras evidências desta iguaria, trazida através da China, em torno do ano 700. Já no século XVII, foi introduzido o vinagre no arroz para encurtar o período de preservação. Assim tornou-se comum o sushi tipo oshizushi: cobria-se o arroz, temperado apenas com vinagre, com o peixe cru, colocava-se numa caixa de madeira com um peso por cima para comprimi-lo e deixava-se descansar por um dia antes de ser consumido.

O sushi mais conhecido e popular, chamado niguirizushi, apareceu somente no período Edo (1603-1868), em torno de 1800. Favorecido pela crescente vida “agitada” que tomava forma nas cidades grandes, o nigirizushi surgiu como uma espécie de fast-food nos arredores de Tóquio. As pessoas petiscavam na entrada dos estabelecimentos, nas ruas ou à beira de estradas. Assim, o método de preservação havia sido substituído pelo conceito de frescor e rapidez para servir.

Hoje encontramos os mais diversos tipos de sushis, dentre os quais os mais comuns, além do nigirizushi, são o makisushi (sushi enrolado), o chirashizushi (sushi montado na caixa), o inarizushi (sushi “ensacado”) e o temaki (sushi em cone).

Arroz


Tecnologia - Suihanki está presente em todos os lares japoneses


Alimento fundamental na dieta japonesa, o arroz já serviu até como moeda


O início do cultivo do arroz no Japão é uma incógnita. Recentes pesquisas mostram que entre a Era Jomon, há mais de 3 mil anos, e a Era Yayoi (300 a.C.~300 d.C.), o arroz foi introduzido no arquipélago pelo norte da ilha de Kyushu, vindo do Sudeste Asiático.

A introdução do arroz mudou radicalmente o modo de vida do japonês, que até então era nômade e, com o cultivo do arroz, tornou-se sedentário.

O arroz cultivado era do tipo longo e avermelhado; e seu plantio, muito rudimentar. Num terreno, abriam-se pequenos sulcos e despejavam-se os grãos, não recebendo nenhuma espécie de cuidado. Num dado momento da história, verificou-se que, se o arroz fosse plantado num terreno com água em abundância, a colheita seria maior e de melhor qualidade. Esta técnica de cultivo ganhou adeptos e se espalhou por todo o território japonês.

O Japão possui condições climáticas ideais para o cultivo do arroz, por isso a colheita aumentava a cada ano, enriquecendo e dando poder aos agricultores. Houve um período em que o arroz era algo tão precioso que servia como pagamento de impostos e também como pagamento aos samurais. Desde então, o arroz é considerado como um bem inestimável, tanto que até hoje é realizado, no Palácio Imperial, o Niinamesai, cerimônia em agradecimento pela boa colheita. Para simbolizar esse mesmo sentimento de gratidão entre o povo, foi instituído o feriado nacional do Dia de Ação de Graça pelo Trabalho (23 de novembro).

O consumo do arroz branco iniciou-se em meados da Era Edo (século XVIII). Até então, eles consumiam o arroz integral e o arroz semibranco. O arroz branco atingiu o status de alimento principal do japonês somente depois da Segunda Guerra Mundial. Até então, ele era misturado com trigo, painço ou sorgo. Além dessa mistura, a alimentação contava com milho, batata, nabo e feijão. O arroz branco só era consumido em ocasiões especiais, como Ano Novo e Finados (Obon).

Durante a guerra, o arroz praticamente desapareceu da mesa do japonês. Nesta época, eles comiam batatas e abóboras, até mesmo o caule destas serviam como alimento. Somente no pós-guerra é que a produção de arroz não só se normalizou, como também cresceu 50%, se comparado com o período antes da guerra. Atualmente, verifica-se uma queda no consumo do arroz, devido ao crescimento do consumo de pão, resultante da influência da cultura ocidental.

Você sabia?

Existe uma cantiga popular que ensina a preparar o arroz: “hajime chorochoro nakapappa butsubutsu iu koro hi o hiite akago nakutomo futa toruna”. Traduzindo este dito, teremos algo semelhante a: “no início, fogo baixo; no meio, fogo alto; quando a água tiver evaporado, diminua o fogo novamente e não destampe a panela de maneira nenhuma.”

No início, são necessários cerca de 10 minutos até a água começar a ferver. Se o fogo for muito forte, levantará fervura em menos tempo. Com isso, somente a parte externa dos grãos receberá calor. A parte interna, além de não receber calor, não recebe também a umidade necessária para o bom cozimento. Passada esta fase, aumente o fogo para que o processo de ebulição seja rápido. Quando o vapor diminuir, o fogo deve ser baixado e aumentado novamente no fim. Deixe-o alto de 20 a 30 segundos, para fazer evaporar a umidade do fundo da panela. Depois, deve-se apagar o fogo. Deixe a panela tampada por um tempo.


Hoje, a maioria dos lares, senão todos, possuem a panela elétrica para cozinhar o arroz (suihanki), porém o melhor arroz cozido (gohan) continua sendo o preparado no fogão. Os renomados chefs da cozinha japonesa dão preferência ao gohan preparado de modo tradicional.